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Segurança em alerta máxima: PM e Prefeitura restringem blocos à Avenida Valóz Davi para o Carnaval 2026
Em reunião decisiva, autoridades condicionam apoio público à mudança de local, citando inteligência policial sobre disputa de facções e risco de tragédia semelhante à de Rio Pomba.
Por Administrador
Publicado em 13/01/2026 13:57
Cultura/Arte
Imagem criada por IA

Em reunião decisiva, autoridades condicionam apoio público à mudança de local, citando inteligência policial sobre disputa de facções e risco de tragédia semelhante à de Rio Pomba.

Por Redação | 13/01/2026 às 13:25

O planejamento do Carnaval de Ubá 2026 sofreu uma mudança de rota drástica na noite desta segunda-feira (12). O que deveria ser uma reunião de alinhamento logístico no Centro Administrativo transformou-se em um debate urgente sobre segurança pública. Apoiada pela Secretaria de Cultura, a Polícia Militar emitiu uma recomendação firme: todos os blocos de rua devem deixar seus bairros de origem e concentrar os desfiles na Avenida Valóz Davi.

A medida visa criar um perímetro de segurança controlável ("Cinturão de Segurança"), evitando a dispersão do policiamento em áreas abertas onde o risco de violência por conflitos entre facções é considerado crítico.

O "Fantasma" de Rio Pomba e a Inteligência Policial

O tom da reunião foi ditado pela apresentação de dados de inteligência pelo Tenente Rodrigo, representante da Polícia Militar. O oficial revelou a recente soltura de cerca de 21 indivíduos ligados a facções criminosas que disputam território na cidade.

Para justificar a centralização, a autoridade policial relembrou a tragédia ocorrida no Carnaval de Rio Pomba em 2025, onde um tiroteio dentro de um bloco resultou em uma morte e 17 feridos.

"O indivíduo hoje não quer só atingir o desafeto, ele quer fazer o espetáculo, causar pânico. Nós não podemos permitir que a população fique vulnerável em ruas estreitas de bairro, sem rota de fuga e sem controle de acesso," alertou o Tenente Rodrigo.

O oficial foi enfático sobre o cenário atual e a impossibilidade de garantir a segurança fora do perímetro estipulado:

"Nós temos 21 alvos de facções soltos na rua hoje em Ubá. O cenário não é de brincadeira. Em Rio Pomba, ano passado, pagaram para ver e tivemos 17 baleados. Eu não vou colocar minha tropa em viela escura de bairro para enxugar gelo. A segurança só é garantida se tivermos controle de perímetro."

Sobre a questão da proibição, o Tenente esclareceu: "A PM não proíbe festa, quem proíbe é a falta de segurança. Se o bloco sair no bairro X, a viatura vai passar lá? Vai. Mas o efetivo fixo, o posto de comando e o resgate estarão na Avenida. Quem ficar fora, fica desguarnecido."

Prefeitura: "Não seremos cúmplices"

A Secretária de Cultura, Alessandra, endossou a posição técnica da PM, estabelecendo um corte no financiamento para quem não aderir à mudança. A Prefeitura não fornecerá estrutura (palco, som, banheiros químicos) para blocos fora da Valóz Davi.

"Não tem dinheiro público para financiar insegurança. O som, o palco, o banheiro químico, tudo vai para a Valóz Davi. É uma questão de responsabilidade fiscal e humana. Não adianta vir ao meu gabinete pedir exceção, porque a regra é única," afirmou Alessandra.

A secretária completou reforçando a responsabilidade legal: "Se a gente apoiar um evento onde a segurança diz que há risco de morte, a Prefeitura está sendo irresponsável. É como dar uma arma para uma criança brincar. Quem quiser fazer no seu bairro, assume o seu B.O. sozinho."

Tecnologia e Monitoramento: O "Cinturão Digital"

O Secretário de Segurança Pública, Rômulo Silva Rodrigues, adotou um tom conciliador, mas firme, atuando como fiador político das ações da PM e anunciando o uso de alta tecnologia para o evento.

"A Secretaria de Segurança não trabalha com 'achismo', trabalha com dados. Quando a Polícia Militar nos traz um relatório de inteligência apontando risco de vida, a discussão acaba. O papel da Prefeitura é dar a infraestrutura para a polícia trabalhar, e não criar obstáculos. A centralização na Valóz Davi não é uma escolha política, é uma necessidade de sobrevivência do evento," declarou Rômulo.

O secretário detalhou o plano de segurança tecnológica: "Nós vamos implementar o 'Cinturão Digital' na avenida. Teremos câmeras de reconhecimento facial integradas ao banco de dados do estado em todos os portais de acesso. Quem tiver mandado em aberto e tentar entrar na folia, vai sair algemado. A mensagem é clara: o carnaval é para o folião, não para o criminoso."

Ele ainda reforçou o aviso aos organizadores dissidentes: "Eu quero reforçar o que a Alessandra (Cultura) disse: o organizador que insistir em fazer evento em área não coberta pela segurança pública estará assumindo o risco civil e criminal. Se houver uma tragédia, o CPF do organizador será cobrado. Nós estamos avisando com antecedência."

Blocos acatam decisão, mas cobram futuro

Apesar da quebra de tradição, os representantes dos blocos presentes aceitaram a medida diante da gravidade dos fatos. Tom, representante do tradicional Bloco Sanatório Geral, priorizou a vida.

"Eu não seguro essa bucha. Já cancelei desfile antes por segurança e apoio a ida para a avenida. A vida vale mais que a festa," afirmou Tom.

Cláudio César, presidente da ESBU (Associação das Escolas de Samba e Blocos de Ubá), expressou o sentimento das comunidades, mas acatou a decisão, levantando a pauta para a criação de um espaço definitivo para o evento nos próximos anos.

"Dói no coração tirar o bloco da comunidade, é a raiz da gente. Mas contra argumento de morte não tem briga. A gente acata, mas já deixo o recado: Ubá precisa da sua Cidade do Samba urgente, pra gente não ficar dependendo de fechar rua e incomodar morador," concluiu Cláudio.

 

Ficou acordado uma nova reunião de alinhamento no dia 15/01/2026 às 19:30h com as escolas e os blocos.

 

  

Assista à reunião na íntegra

Para entender todos os detalhes desta decisão e ouvir os argumentos completos das autoridades e organizadores, acesse a gravação da reunião no link abaixo:
https://youtu.be/A3-y9mfCPHE?si=CypAEgFC5Pu80kZU

 

 

Reportagem e Edição: Geane Nicácio - Multisom Ubaense

 

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