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Audiência sobre enchente em Ubá apresenta respostas e mantém questões pendentes sobre prevenção, obras e Copasa
Debate de mais de quatro horas detalhou situação dos produtores rurais, intervenções no Rio Ubá, retirada de ponte colapsada, prejuízos ao comércio, atuação dos órgãos de emergência e medidas de prevenção diante de novos eventos climáticos
Por Administrador
Publicado em 04/09/2026 23:00
Câmara Municipal de Ubá
Geane Nicácio

 

Mais de seis meses após a enchente de 24 de fevereiro, representantes do poder público, vereadores, entidades, comerciantes e moradores se reuniram na Câmara Municipal de Ubá, na noite de quarta-feira, 2 de setembro, para discutir o que foi feito antes, durante e depois do desastre e quais medidas ainda precisam avançar no município.

Ao longo de mais de quatro horas, secretários municipais, técnicos, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros responderam a questionamentos e apresentaram explicações sobre ações realizadas, serviços ainda a executar, dificuldades enfrentadas e medidas consideradas necessárias para reduzir os riscos diante de novos eventos climáticos.

Em alguns temas, a audiência trouxe respostas e etapas concretas de execução. Em outros, foram apresentadas justificativas, mas o resultado ainda depende de providências posteriores. Também houve cobranças que permaneceram sem resposta, especialmente aquelas dirigidas à Copasa, que não teve representante presente.

A audiência foi realizada a partir do Requerimento nº 202/2026, de autoria do vereador André Eustáquio Alves. O documento estabeleceu expressamente como finalidade debater os impactos das enchentes de fevereiro, avaliar as ações adotadas pelo Poder Público antes, durante e depois da tragédia, além de discutir prevenção, responsabilização e reparação dos danos.

Participaram vereadores, representantes da Administração Municipal, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, entidades empresariais, comerciantes, representantes comunitários e moradores. Entre aqueles que responderam diretamente aos questionamentos estavam o secretário municipal de Obras, Edeir Pacheco da Costa, e o secretário de Agricultura e Ambiente, Salomão Junior Curi. A Defesa Civil foi representada pelo agente Almeida e o Corpo de Bombeiros pelo capitão Dornelas.

R$ 200 mil para produtores: recurso estava previsto, mas ainda não havia chegado aos beneficiários

Um dos questionamentos apresentados pelo vereador André Eustáquio Alves tratou dos R$ 200 mil previstos para auxiliar produtores rurais prejudicados pela enchente — R$ 100 mil destinados ao Sindicato dos Produtores Rurais e outros R$ 100 mil ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

O que foi questionado: por que, mais de seis meses depois do desastre, o dinheiro ainda não havia chegado aos produtores e o que estava impedindo a transferência dos recursos.

O secretário de Agricultura e Ambiente, Salomão Junior Curi, explicou que os valores foram provisionados pelo Município, mas que a liberação depende da adequação dos planos de trabalho apresentados pelas duas entidades.

Segundo Curi, a intenção da Administração é que o dinheiro seja utilizado diretamente para ajudar na retomada da produção rural. Entre os itens citados pelo secretário estiveram sementes, adubo e calcário.

Na explicação apresentada, os planos encaminhados pelas entidades continham também despesas administrativas e custos como aluguel de imóvel. No entendimento da Prefeitura, esses gastos não estariam de acordo com a finalidade estabelecida para o auxílio emergencial.

A resposta do secretário fez, portanto, uma distinção importante: o dinheiro estaria previsto, mas isso não significa que tenha sido efetivamente transferido aos produtores.

Curi também enumerou outras ações realizadas pela Secretaria no meio rural. Citou o programa Porteira Adentro, utilização de máquinas para recuperação de acessos, análises de solo, disponibilização de equipamento para agricultura familiar e apoio a feirantes atingidos.

A audiência explicou a razão apontada pela Administração para o impasse, mas não encerrou a questão. O ponto objetivo permanece: quando os planos serão adequados e em que momento os R$ 200 mil chegarão efetivamente aos produtores.

Rio Ubá: cobrança por limpeza leva equipe técnica a explicar limites das intervenções isoladas

A situação do Rio Ubá e de seus afluentes ocupou parte significativa da audiência.

O que foi questionado: limpeza da calha, retirada dos sedimentos levados pela enchente, capacidade de escoamento, desassoreamento e quais intervenções podem ser realizadas para reduzir os efeitos de novas chuvas intensas.

A cobrança também envolveu o que poderia ser executado imediatamente e o que dependeria de estudos e projetos mais amplos.

Na resposta, o secretário de Obras, Edeir Pacheco da Costa, e representantes da equipe técnica explicaram que a intervenção em um curso d'água não pode ser analisada apenas a partir de um ponto específico.

Segundo a argumentação apresentada, aprofundar, ampliar ou modificar isoladamente um trecho pode alterar a velocidade e o volume de água que seguirá para outras regiões da bacia.

Isso significa que uma intervenção capaz de melhorar a passagem da água em determinado ponto pode aumentar a pressão sobre regiões localizadas a jusante — ou seja, mais abaixo no curso do rio.

A equipe defendeu, por isso, a necessidade de estudos hidrológicos, projetos executivos e planejamento de macrodrenagem para intervenções estruturais de maior porte.

Durante a audiência, também foi informado que, ao assumir o setor no fim de novembro, o responsável afirmou não ter localizado estudo anterior específico relacionado à intervenção que estava sendo discutida naquele momento na calha do rio.

A informação exige uma distinção: não significa afirmar que não existia qualquer estudo sobre drenagem em Ubá, mas registra o que foi relatado especificamente sobre a intervenção debatida na audiência.

Outro ponto destacado foi o custo das obras estruturais. Segundo os representantes da área técnica, intervenções de grande porte extrapolam a capacidade de execução por meio de ações simples de manutenção e exigem projetos tecnicamente estruturados, inclusive para permitir a busca de recursos junto aos governos estadual e federal.

A explicação apresentada foi, portanto, de que o enfrentamento das enchentes deve combinar manutenção dos cursos d'água, conhecimento técnico da bacia e obras planejadas de maneira integrada, evitando soluções que apenas desloquem o problema de um ponto para outro.

Barraginhas: cobrança envolve limpeza, manutenção e capacidade de funcionamento

As chamadas barraginhas também tiveram espaço específico na audiência.

O que foi questionado: como estava sendo realizada a manutenção das estruturas já existentes, se havia necessidade de limpeza ou recuperação e em quais condições elas se encontravam para receber novos volumes de água no próximo período chuvoso.

A discussão é importante porque a simples existência de uma barraginha não significa que ela continuará mantendo indefinidamente sua capacidade original.

Com o tempo, terra, areia, matéria orgânica e outros materiais transportados pelas enxurradas podem se acumular nessas estruturas. Dependendo das condições encontradas, a manutenção pode envolver retirada de sedimentos, recuperação dos pontos de entrada da água e conservação da própria estrutura para preservar sua capacidade de armazenamento e infiltração.

Assim, a cobrança apresentada na audiência não se limitou à construção de novas barraginhas. O debate alcançou um aspecto igualmente importante: a conservação daquelas que já existem.

Do ponto de vista preventivo, estruturas assoreadas ou que perderam capacidade de armazenamento podem ter desempenho inferior ao originalmente previsto. Por isso, a manutenção periódica passa a ser parte da discussão sobre preparação para o período de chuvas.

O assunto não começou na audiência de setembro. Em março, o Requerimento nº 43/2026, de André Eustáquio Alves, já havia solicitado estudos, obras de drenagem e construção de barraginhas em áreas de escoamento da Comunidade da Zueira, Rodovia Ubá–Tocantins e Comunidade da Barrinha. O SAPL registra que houve resposta do Executivo ao requerimento.

Na audiência, portanto, a discussão avançou para uma questão prática: além de implantar estruturas, é preciso saber se aquelas que já existem estão recebendo manutenção suficiente para continuar exercendo sua função quando novas chuvas intensas ocorrerem.

Ponte colapsada: resposta apresenta sequência para início da remoção

A permanência de uma estrutura de ponte colapsada dentro do curso d'água também motivou cobrança.

O que foi questionado: quando a ponte seria efetivamente retirada e como a remoção da estrutura se relacionava com a limpeza dos materiais e sedimentos acumulados após a enchente.

Nesse ponto, a resposta apresentada foi mais operacional.

Foi informado que maquinário deveria ser mobilizado a partir da semana seguinte à audiência para dar início aos trabalhos.

A explicação indicou que não seria possível simplesmente retirar a estrutura e encerrar o serviço.

Primeiro, seria necessária a preparação do local que receberá o material retirado. Depois, avançariam a demolição e a remoção da ponte que permanece colapsada dentro do rio.

A retirada dos sedimentos transportados pela inundação foi relacionada à continuidade dessas etapas.

Dessa forma, a sequência apresentada durante a audiência foi, em linhas gerais: preparação da destinação do material, mobilização de maquinário, demolição e retirada da ponte e continuidade da remoção dos sedimentos.

Diferentemente de discussões mais amplas sobre futuras obras de macrodrenagem, esse ponto produziu uma informação concreta de curto prazo: havia expectativa anunciada para início dos trabalhos a partir da semana seguinte.

Isso não equivale, entretanto, a um prazo para conclusão de todo o serviço.

Comércio: representantes detalham prejuízos que permanecem meses depois da enchente

Os impactos econômicos sobre os comerciantes do Centro e do Calçadão São José também ocuparam espaço relevante.

O que foi apresentado: perdas de estoques, mercadorias, equipamentos, instalações e dificuldades financeiras que continuaram mesmo após a reabertura dos estabelecimentos.

Márcia Cisa de Souza Moreira esteve entre os representantes que levaram as reivindicações do setor ao plenário.

Os relatos mostraram que, para os comerciantes atingidos, a recuperação não se encerrou quando a água foi retirada dos imóveis.

A recomposição de estoque, substituição de equipamentos, reparos nos estabelecimentos e manutenção da própria atividade econômica continuam produzindo efeitos sobre os empresários e comerciantes que sofreram perdas.

Nesse contexto, apareceram cobranças relacionadas ao IPTU, taxas municipais e outras formas de apoio financeiro ou tributário.

O que ficou esclarecido: a audiência registrou detalhadamente as reivindicações e dificuldades apresentadas pelos representantes do comércio.

O que não ficou definido: não houve, a partir dessas manifestações, anúncio de uma nova medida tributária ou econômica concreta para atender às demandas apresentadas naquele momento.

Ou seja, nesse eixo houve mais cobrança e exposição dos prejuízos do que apresentação de uma nova solução.

Copasa: ausência deixa sem resposta questionamentos sobre esgoto, redes e abastecimento

A Copasa foi alvo de cobranças durante a audiência.

O que os participantes queriam esclarecer: problemas relatados de refluxo de esgoto, condições e funcionamento das redes, tubulações, abastecimento de água e providências adotadas pela concessionária nas áreas atingidas.

A ausência de representante da empresa, comunicada previamente conforme registrado durante a audiência, foi criticada no plenário.

Sem a Copasa presente, não houve resposta técnica direta da concessionária e tampouco contraponto aos relatos apresentados.

Isso é importante para a redação da matéria: as situações envolvendo esgoto, redes e abastecimento foram relatadas pelos participantes; sem a presença da empresa, a audiência não pôde confrontar esses relatos com a versão técnica da Copasa.

Consequentemente, as principais cobranças dirigidas especificamente à concessionária permaneceram abertas.

O tema também não é novo na Câmara. Em 8 de abril já havia sido realizada audiência pública específica intitulada “A Copasa diante da situação de calamidade pública em Ubá”, enquanto em 31 de março houve audiência sobre reurbanização pós-enchente.

A discussão de setembro, portanto, também levanta uma pergunta sobre continuidade: o que avançou desde os primeiros debates realizados após a enchente e quais questões ainda dependem de providências da concessionária?

Defesa Civil: perguntas alcançam monitoramento, alertas e resposta na madrugada do desastre

A atuação da Defesa Civil Municipal também foi analisada.

O que foi questionado: capacidade de monitoramento da chuva e dos cursos d'água, comunicação com a população, alertas e dificuldades enfrentadas pelas equipes enquanto a situação se agravava durante a madrugada de 24 de fevereiro.

O agente Almeida apresentou a perspectiva da Defesa Civil sobre as condições enfrentadas.

A explicação destacou a dificuldade representada pela evolução das ocorrências em diferentes pontos do município e a necessidade de resposta simultânea a situações de risco.

Também entrou no debate a capacidade de monitorar tempestades e alterações no nível dos cursos d'água e transformar essas informações em alertas capazes de alcançar a população.

A discussão sobre comunicação ganhou especial importância por se tratar de um evento ocorrido durante a madrugada, quando parte significativa dos moradores estava dormindo.

Nesse ponto, a audiência não tratou apenas de equipamentos. A questão envolve também como uma informação de risco é identificada, processada e comunicada em tempo suficiente para permitir alguma ação preventiva da população.

Bombeiros: capitão Dornelas explica por que salvamentos foram priorizados

A atuação do Corpo de Bombeiros foi apresentada pelo capitão Dornelas.

O que estava em discussão: capacidade operacional durante as horas mais críticas, grande quantidade de ocorrências e critérios utilizados pelas equipes para definir quais atendimentos teriam prioridade.

Segundo a explicação apresentada, diante das condições encontradas e de ocorrências simultâneas, os Bombeiros priorizaram situações envolvendo risco imediato à vida e salvamentos.

Isso incluiu a retirada de pessoas que se encontravam em locais considerados perigosos.

A fala ajudou a esclarecer a lógica operacional adotada naquele momento: quando existem múltiplos chamados e limitação física para atender todos simultaneamente, as ocorrências com maior ameaça à vida recebem prioridade.

A participação de Bombeiros e Defesa Civil também aproximou dois temas diferentes, mas relacionados: resposta emergencial e prevenção.

Quanto maior a capacidade de monitorar, comunicar e alertar antecipadamente, maior também pode ser o tempo disponível para retirada preventiva de pessoas antes que as equipes precisem atuar em situações já críticas.

Plano de Contingência existia antes da enchente

A audiência também envolve uma questão importante sobre planejamento.

O Município já possuía antes da enchente o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil – 2025, elaborado pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil e datado de outubro de 2025.

O documento contempla situações de emergência e desastres, incluindo inundações.

Assim, a existência de planejamento formal para esse tipo de ocorrência antes de 24 de fevereiro está estabelecida documentalmente.

Esse registro é importante para evitar uma interpretação equivocada de que Ubá não possuía instrumento formal de contingência quando ocorreu a enchente.

Responsabilização estava no objetivo da audiência, mas não teve definição

O Requerimento nº 202/2026 não previa apenas discutir obras e prevenção. A responsabilização foi expressamente incluída entre as finalidades da audiência, juntamente com prevenção e reparação dos danos.

Apesar das explicações técnicas, manifestações, cobranças e respostas apresentadas ao longo das mais de quatro horas, não houve definição conclusiva no encontro sobre eventual responsabilização.

Isso diferencia esse eixo dos demais.

Nos produtores, por exemplo, houve uma explicação administrativa. Na ponte, houve anúncio de etapas. Na Copasa, perguntas ficaram sem resposta. Já na responsabilização, não houve conclusão sobre eventual responsabilidade a partir do que foi apresentado durante a audiência.

O que ficou esclarecido e o que ainda permanece em aberto

A audiência mostrou que não é possível classificar todos os assuntos simplesmente como “respondidos” ou “não respondidos”.

Produtores rurais: o motivo alegado para a não liberação dos R$ 200 mil foi explicado, mas o dinheiro continua dependendo da adequação dos planos de trabalho e da efetiva transferência.

Rio Ubá e drenagem: a equipe apresentou a justificativa técnica para a necessidade de estudos e planejamento integrado antes de determinadas intervenções estruturais.

Barraginhas: o debate alcançou a situação das estruturas existentes, limpeza e manutenção necessárias para preservar sua capacidade diante do período chuvoso.

Ponte e sedimentos: foram apresentadas etapas para início da retirada da estrutura e continuidade dos serviços sobre os materiais acumulados.

Comerciantes: foram detalhados prejuízos e apresentadas reivindicações, mas sem definição de uma nova medida econômica ou tributária naquele momento.

Copasa: as principais perguntas dirigidas à concessionária permaneceram sem resposta devido à ausência de representante.

Defesa Civil: foram apresentadas explicações sobre a atuação e as dificuldades relacionadas ao monitoramento, comunicação e resposta.

Corpo de Bombeiros: foi explicada a prioridade dada a salvamentos e ocorrências com risco imediato à vida.

Responsabilização: apesar de constar entre os objetivos formais da audiência, não houve definição conclusiva.

Medidas anunciadas poderão ser verificadas a partir de agora

Mais do que concentrar informações em uma única noite, a audiência estabeleceu pontos concretos que poderão ser acompanhados.

Entre eles estão a liberação efetiva dos R$ 200 mil aos produtores, a mobilização do maquinário e retirada da ponte colapsada, a remoção de sedimentos, o avanço dos estudos e projetos de drenagem, a manutenção das barraginhas, as medidas de prevenção antes do próximo período chuvoso e as respostas que ainda dependem da Copasa.

Mais de seis meses após a enchente de fevereiro, parte importante do resultado da audiência será conhecida quando for possível comparar as explicações e medidas anunciadas no plenário com aquilo que efetivamente será executado.

 

Fonte principal: Audiência Pública da Câmara Municipal de Ubá – 02/09/2026
Contexto documental: Requerimento nº 202/2026 e Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil – 2025
Edição: Geane Nicácio – Multisom Ubaense

 

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