Em uma sessão marcada pela indignação coletiva e pela ausência estratégica da Copasa, a Câmara Municipal de Ubá realizou uma audiência pública decisiva para debater o saneamento básico após a enchente de fevereiro de 2026. O debate revelou que, enquanto a população ainda limpa a lama de seus lares e comércios, a concessionária mantém barreiras burocráticas que impedem o alívio financeiro das famílias atingidas.
A Ausência que Grita: O Descaso da Concessionária
A Copasa, principal alvo do debate, enviou apenas um ofício alegando que o sistema de abastecimento estava "100% normalizado" desde o dia 02 de março. A afirmação foi rebatida imediatamente pelos parlamentares e pelo público. O presidente da Casa, vereador José Maria Fernandes, classificou a ausência como um insulto: "Eles mandam um bilhetinho enquanto o cidadão está no olho do furacão. É uma vergonha". O autor do requerimento, vereador Renatinho, reforçou que a falta de comparecimento é um descaso absoluto com o Poder Legislativo.
Os Dados da Calamidade e os Questionamentos Técnicos
O coordenador da Defesa Civil, Anderson Almeida, apresentou o panorama real do desastre, confirmando que cerca de 790 famílias foram cadastradas devido aos impactos severos. Anderson destacou que a Defesa Civil possui o mapeamento detalhado das áreas inundadas, dado que foi central para o questionamento da noite: Por que a Copasa exige protocolos individuais se o Poder Público já sabe quem foi atingido?
A agência reguladora ARSAE, representada por Lucas Marques, foi confrontada sobre a Resolução 40/2013, que garante isenção para imóveis alagados. Lucas sugeriu que a Câmara envie um ofício para que a ARSAE medie com a empresa para que os dados da Defesa Civil sejam utilizados como prova coletiva, evitando o SAC "fraco" da concessionária.
Gestão de Crise: Sala de Situação vs. Gabinete de Crise
Durante o debate, emergiu a necessidade de entender como o município gerencia tais eventos. A eficácia da resposta pública depende da conexão entre duas estruturas distintas:
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Sala de Situação Municipal: É o "cérebro" da gestão, uma unidade de inteligência permanente e técnica. Seu foco é o monitoramento contínuo de dados (saúde, clima, indicadores) para produzir informações que evitem que problemas se tornem crises. Ela é preventiva
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Gabinete de Crise: É uma estrutura temporária de comando e autoridade política (Prefeito e secretários). É ativado apenas em eventos críticos para tomar decisões rápidas sob pressão, como decretar estado de calamidade.
Na prática, a Sala de Situação alimenta o Gabinete de Crise. Na audiência, discutiu-se que, se a Sala de Situação estivesse processando os dados de saúde (como o aumento de doenças hídricas) em tempo real, o Gabinete de Crise (que já foi "destituido") teria munição técnica imediata para pressionar a Copasa por soluções sanitárias.
O Nó da Taxa de Esgoto (74,4%)
O vereador José Roberto relembrou que o contrato de 2017 previa reduções progressivas caso a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) não fosse entregue. No entanto, em 2021, a ARSAE unificou as taxas em 74,4%, mesmo sem o tratamento existir. O vereador André foi enfático: "Nenhuma pedra foi colocada na ETE e o povo continua financiando o lucro da empresa por um serviço que não recebe".
PZero Notificações: Jardel afirmou que o município não emitiu nenhuma advertência formal por escrito contra a Copasa pelo descumprimento de metas.
Encaminhamentos e Decisões
Ao final, um documento oficial foi assinado exigindo:
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Isenção automática de faturas baseada nos mapas da Defesa Civil.
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Suspensão imediata de cortes de água por inadimplência nas zonas de calamidade.
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Fiscalização presencial da ARSAE em Ubá nos próximos 30 dias para atestar a qualidade da água e o andamento das obras de esgoto.
Fonte: Câmara Municipal de Ubá
Edição: Geane Nicácio - Multisom Ubaense
Assista a audiência completa pelo youtube: https://www.youtube.com/watch?v=bHJADl5IXGs&list=PPSV&t=128s